Rompimento da barragem de Mariana completa três anos

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Hoje (5) completam três anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. A enxurrada de lama, que deixou um rastro de destruição à medida que avançava pelo rio Doce, ainda está presente na memória da população e nas ações da Prefeitura, que acompanha passo a passo as medidas de compensação pelos prejuízos provocados. Entre elas, está a construção, em andamento, de uma nova captação de água, obra exigida pelo prefeito André Merlo para dar segurança hídrica aos valadarenses. Na mesma linha, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) realiza intervenções em parceria com a Fundação Renova para garantir água potável e de qualidade à população Valadarense.

A engenheira química Ana Paula Pimenta Lopes lembra que o processo de tratamento de água passou por melhorias e elas foram fundamentais para garantir a qualidade da água distribuída à população. “Na ETA Central foi necessário aumentar a periodicidade com que os decantadores eram lavados, pois ela é responsável pelo abastecimento de grande parte da cidade”, explica, lembrando que, antes do desastre, a limpeza acontecia trimestralmente e, após o acidente, passou a ser de 15 em 15 dias. Também foram incluídas nas análises laboratoriais diárias as análises de manganês, ferro e alumínio. “Todos esses procedimentos foram essenciais para alcançamos a qualidade aceitável pelo Ministério da Saúde”, explicou.

“Desde que assumimos, firmamos um compromisso com a população de que iríamos distribuir uma água de qualidade e, hoje, após três anos da tragédia, além de estarmos cumprindo este compromisso, recebemos a confirmação do Ministério Público Estadual e Federal de que, por meio do arquivamento dos processos relacionados à qualidade da água, nossa água é 100% potável e própria para o consumo”, assegura o diretor-geral do SAAE, Alcyr Nascimento Júnior. Ele lembra que a atual gestão tem executado projetos que estavam travados, sem andamento, “e com todas essas melhorias, Valadares chegará a um patamar extraordinário, pois poucas cidades no país possuem a estrutura de tratamento de água e resíduos que teremos até o final de 2020”, completou.

Nova captação

A obra que está na fase de supressão vegetal, é de grande relevância e traz inúmeros benefícios para a cidade. Dentre eles, a ampliação das estações de tratamento de água, reduzindo perdas durante o processo também de distribuição; e a construção da Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), que vai tratar todos os resíduos oriundos do processo de limpeza dos floculadores, decantadores e tanques das ETAs. O material tratado será reaproveitado como matéria-prima para fabricar tijolos ou adubo e contribuirá para a recuperação da bacia do rio Doce.

O projeto prevê a implantação de uma adutora de 35 quilômetros de extensão, que levará a água do rio Corrente Grande até as Estações de Tratamento de Água (ETA) Central, Vila Isa e Santa Rita. Em julho, a Vila Mariana, bairro que terá os primeiros tubos da adutora, recebeu uma equipe de limpeza da Prefeitura, que esteve no local e abriu espaço para o trabalho da topografia e supressão vegetal realizado pela Renova.

Os principais contratos de serviços e de fornecimento de tubos já foram fechados. Para este mês de novembro está previsto o processo de mobilização e chegada dos tubos. Ao todo, serão 35 mil metros de tubos com 900 milímetros de diâmetro. A obra, estimada em R$ 155 milhões, vai gerar uma média de 770 empregos diretos e indiretos.

A intenção do prefeito André Merlo para os próximos dias é criar um sistema de monitoramento com câmeras para que a população acompanhe as obras em tempo real. O cronograma segue dentro do prazo estipulado pela Fundação Renova e Prefeitura. Conforme estabelecido nele, a obra, que teve início em julho de 2018, será concluída no primeiro trimestre de 2021.

Mesmo com o cronograma em dia e reconhecendo que vários compromissos foram feitos e cumpridos pela Fundação, o prefeito André Merlo acredita que a Renova carece de celeridade em suas ações: “Estamos completando três anos do desastre e essa nova captação de água – que é a principal obra de reparação de danos em Valadares – ainda tem mais de dois anos de obra pela frente. Os danos e prejuízos sofridos foram de grande impacto tanto para as pessoas quanto para a economia da cidade. Até hoje sofremos as consequências”, lembra o prefeito, ressaltando que, “mesmo fora do que seria ideal, a captação é uma grande conquista e que é importante manter o diálogo franco e a disposição em trabalhar ao lado da Renova nas soluções dos problemas oriundos dessa tragédia”.

A tragédia de Mariana, em Minas Gerais, completa três anos nesta segunda-feira (5). Na ocasião, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu liberando rejeitos de mineração no ambiente. No episódio, 19 pessoas morreram e comunidades foram destruídas, como o distrito de Bento Rodrigues. Houve também poluição da bacia do Rio Doce e devastação de vegetação. Desde novembro de 2016, tramita na Justiça Federal de Ponte Nova (MG) uma ação criminal sobre a tragédia, que se tornou o maior desastre ambiental já registrado no país.

Relembre

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, de propriedade da Samarco – pertencente à Vale e à BHP Billiton – deixou 19 mortos e o Rio Doce contaminado por rejeitos da mineração ao longo de 826 km e 39 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Esta foi a maior tragédia socioambiental já registrada no Brasil e a maior de rejeitos do mundo todo. Mais de um milhão de pessoas foram atingidas de alguma forma nos dois Estados.

Veja abaixo alguns fatos ocorridos no decorrer desse período. 

3 anos da tragédia de Mariana

Novembro de 2015

Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompe em Mariana liberando cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos, causando 19 mortes, destruição de comunidades, devastação de vegetação e poluição da bacia do Rio DoceTragédia é a maior catástrofe ambiental na história do país

Março de 2016

Mineradoras, governo federal e governos de Minas Gerais e do Espírito Santo firmam termo para reparação dos danos, calculados em R$ 20 bilhões

Abril de 2016

Conselho do Patrimônio Cultural de Mariana (Compat) decide pelo tombamento dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu

Maio de 2016

Moradores do distrito de Bento Rodrigues escolhem o local para reconstrução da comunidade

Justiça Federal homologa acordo entre mineradoras e governos; MPF contesta

Junho de 2016

Fundação Renova é criada para gerir as ações de reparação dos danos

Agosto de 2016

Justiça Federal anula a homologação de acordo

Outubro de 2016

22 pessoas e quatro empresas são denunciadas por crimes da tragédia de Mariana

Novembro de 2016

Justiça aceita a denúncia criminal

Samarco consegue aval para usar depósito em Ouro Preto e planeja retorno das atividades

Janeiro de 2017

Mineradoras e MPF fecham acordo que pode levar à extinção da ação civil pública

Abril de 2017

Empregados da Samarco aceitam segundo período de layoff

Julho de 2017

Prefeitura de Santa Bárbara nega documento para que Samarco retome as atividades

Justiça federal suspende tramitação da ação criminal da tragédia

Outubro de 2017

Samarco prorroga por mais cinco meses o período de layoff de 800 funcionários

Novembro de 2017

Justiça federal determina retomada da tramitação da ação criminal

Fevereiro de 2018

Moradores de Bento Rodrigues aprovam projeto urbanístico para reconstrução da comunidade

Maio de 2018

Fundação Renova implanta o canteiro de obras para reconstrução de Bento Rodrigues

Fonte: SECOM GV/Hoje em Dia

Foto: Reprodução/Internet

Departamento de Jornalismo – Rádio Mundo Melhor



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