Veja onde estão e saiba mais sobre as 10 barragens que a Vale promete eliminar

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As dez barragens de rejeitos que a Vale prometeu desativar estão localizadas na mesma região de Minas Gerais, nos arredores das cidades de Nova Lima, Rio Acima, Ouro Preto, Barão de Cocais, Belo Vale, Itabirito, Congonhas e Brumadinho. A mineradora também informou que vai encerrar definitivamente o uso da área em que elas estão.

Levantamento do G1 a partir das informações da Vale e da Agência Nacional de Mineração (ANN) mostra a localização e as características de cada uma das barragens. As dez estruturas foram construídas pelo método de “alteamento a montante”, Considerado ultrapassado e menos seguro do que outras alternativas existentes, ele é o mesmo usado na construção de barragens que se romperam em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano.

As barragens que serão desativadas ficam em complexos amplos de mineração da Vale, alguns deles em divisas de municípios, com operações em mais de uma cidade.

Barragens que a Vale promete descomissionar — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

Baixo risco, mas alto potencial de dano

Com exceção de uma delas (a de Fernandinho, em Nova Lima), considerada de baixo potencial de dano, todas têm a mesma classificação da barragem que se rompeu em Brumadinho: baixo risco de ocorrência de acidente, mas alto risco de dano potencial. A classificação da ANM para dano potencial leva em conta perdas de vidas humanas e impactos sociais, econômicos e ambientais em caso de rompimento.

A ficha técnica das barragens mostra também que três delas estão com volume de rejeitos superior ao da que se rompeu em Brumadinho. E duas delas possuem uma altura maior, acima de 90 metros.

Segundo a Vale, das 157 barragens de rejeitos de mineração mantidas pela empresa no país, essas dez são as últimas construídas pelo método de alteamento a montante e que ainda não passaram pelo chamado descomissionamento – nome técnico do processo de encerramento definitivo do uso da barragem, recuperação do solo e reintegração da área ao meio ambiente.

Por essa razão, a lista também inclui a barragem que se rompeu na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.

As dez barragens atendem as seguintes minas da Vale: Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande; Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopeba; além das plantas de pelotização de Fábrica e Vargem Grande.

Essas minas estão localizadas em Ouro Preto, Congonhas, Itabirito, Nova Lima, Belo Vale e Brumadinho.

Veja abaixo imagens de satélite das 10 barragens:

Barragem 8B — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

Barragem Sul Superior — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

Barragem B3/B4 — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

Barragem I — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

As barragens de Vargem Grande e Fernandinho estão localizadas uma ao lado da outra, na divisa dos municípios de Nova Lima e Rio Acima:

Barragens de Vargem Grande e de Fernandinho — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

As barragens Forquilha I e II, em Ouro Preto, também estão localizadas uma ao lado da outra e são as mais altas entre as dez estruturas que a Vale prometeu desativar. Forquilha III faz parte do mesmo complexo e possui o maior volume de rejeitos entre todas as barragens desse tipo mantidas pela mineradora.

Barragens Forquilha — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

A Barragem Grupo também faz parte do mesmo complexo de mineração da Vale, em Ouro Preto.

Barragem Grupo — Foto: Infográfico: Juliane Monteiro e Karina Almeida/G1

Vale aprovou investimento de R$ 5 bilhões para eliminar essas barragens e estima que o processo de desativação total e recuperação das áreas poderá levar até três anos. A empresa informa, entretanto, que todas essas barragens já se encontram “completamente inativas e contam com laudos de estabilidade”.

Para acelerar o processo, a empresa informou que irá parar a produção de minério de ferro nas áreas próximas, com impacto anual de 40 milhões de toneladas de minério de ferro e 11 milhões de toneladas de pelotas.

Descaracterizar barragens não é simples e também tem risco

Para fazer o chamado descomissionamento e reintegrar as barragens ao meio ambiente, há dois caminhos básicos: esvaziar ou aterrar a área, com a possibilidade também de reprocessar o material depositado nas barragens, separando o mineral residual e encaminhando os resíduos sólidos secos a outro local.

Especialistas explicam que o processo de descaracterizar uma barragem não é simples e costuma ter um custo elevado – tampouco a deixa imune a novos acidentes. Assim como o projeto de abertura de uma mina ou barragem, o de desativação, reabilitação da área e recuperação da vegetação também depende de licenciamento ambiental.

O projeto de descomissionamento da barragem da Vale que desmoronou em Brumadinho previa, por exemplo, um novo processamento, para retirada de minério dos rejeitos acumulados na barragem. A Vale obteve a licença ambiental para essas atividades no final de 2018, mas a empresa negou que tenham sido iniciadas obras no local.

Segundo a empresa, os processos de interrupção e desativação das dez barragens deverão enviados para licenciamento do órgão ambiental nos próximos 45 dias. A Vale ainda não detalhou como será feito o descomissionamento nestas estruturas que serão eliminadas. Questionada pelo G1, a empresa informou que, para agilizar o processo de descomissionamento, “não vai reprocessar o rejeito para aproveitamento econômico neste momento”.

Fonte: G1

Foto: Reprodução/Internet

Departamento de Jornalismo – Rádio Mundo Melhor



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